''You know how when you were a little kid and you believed in fairy tales, that fantasy of what your life would be, white dress, prince charming who would carry you away to a castle on a hill. You would lie in bed at night and close your eyes and you had complete and utter faith. Santa Claus, the Tooth Fairy, Prince Charming, they were so close you could taste them, but eventually you grow up, one day you open your eyes and the fairy tale disappears. Most people turn to the things and people they can trust. But the thing is its hard to let go of that fairy tale entirely cause almost everyone has that smallest bit of hope, of faith, that one day they will open their eyes and it will come true.At the end of the day faith is a funny thing. It turns up when you don't really expect it. Its like one day you realize that the fairy tale may be slightly different than you dreamed. The castle, well, it may not be a castle. And its not so important happy ever after, just that its happy right now. See once in a while, once in a blue moon, people will surprise you , and once in a while people may even take your breath away.''

15 de jan. de 2024

417 - Brasil - Ribeirão Preto, 15 de janeiro de 2024

Querida amiga, 

Há quanto tempo não te escrevo. 

Você me disse que queria ler algo que eu tinha escrito há uns anos. Quis escrever algo para você. Sinto que mesmo que seja escrito em um site fantasma da internet vamos conseguir ter uma comunicação melhor do que a Alemanha nos permite. 
Nossas últimas ligações foram péssimas. 

 Por aqui tenho estudado muito. Lido muito Clarice. Aquela Clarice que até pouco tempo eu dizia ser hipervalorizada. Acho que eu não a compreendia. Não compreendia o sentimento adulto que ela exalava de forma exagerada. 

Tenho trabalhado muito também e tem sido uma fase muito difícil. Do trabalho que me remunera e que permite viver, eu gosto. Dos outros projetos acho que desisti por enquanto. 

Não gosto do que escrevo. Nada presta e não tenho ideia de por onde começar. Nem a nova ortografia do português aprendi ainda. Sinto que desaprendi a usar vírgulas, escolher temas, dividir parágrafos, usar pontuação e tempos verbais, que não consigo me expressar e sinceramente, não tenho nada a dizer que valha a pena ser registrado. 

 Tenho bebido muito, muito, muito para o meu padrão, daquela pessoa que não bebia nada. E entendi, finalmente, aos 32 anos, o porque as pessoas bebem. Os tolos acham que é para se divertir, os viciados, para esquecer. Na minha verdade é que os adultos bebem apenas para suportar a realidade do entendimento de solidão. 

Tenho assistido Doramas. Um ridículo reconfortante, preciso dizer. Comecei há dois dias e posso dizer que é viciante. Obviamente não entendo nada de coreano e só disponibilizaram dublado, o que torna mais ridícula ainda a minha nova distração. Por falar em coreano, meu inglês permanece péssimo, mas melhor do que antes. E o seu aprendizado no Alemão, como anda? 

Tenho tido dias difíceis, procurando muitas respostas. Final de semana fui sozinha para uma cidade próxima. Sentei em uma cafeteria. Devia ter levado um livro e um fone de ouvido, mas o momento reflexivo solitário não estava nos meus planos. As pessoas olham com pena quem senta para comer sozinho por algum motivo.
Reparei um pouco nelas. Elas estavam acompanhadas e mais sozinhas que eu. Eu gostei da minha própria companhia. Até me suportei como há tempos não acontecia. Queria aqui dar um conselho de grande valia sobre isso mas não sei quando vou conseguir fazer isso novamente. Queria dizer que adaptação ao novo estilo de vida é delicioso. Mas tudo é novo  e não sei ainda se será meu novo estilo de vida. 

Tenho treinado mais mas me alimentado pior. Não consigo seguir mais minha dieta, tenho tido vontade de açúcar. O que faço com essa ansiedade, amiga? 

 Estou preocupada com a minha espiritualidade também. Parece que estou perdida. Procuro respostas para as perguntas erradas, também por isso não as encontro, mas também não tenho as perguntas certas e as que tenho, não posso fazer para quem pode responder. Até tentei, mas não tive respostas. As poucas que tive vieram repletas de verdades, algumas outras confesso que busquei nos lugares errados. Em certos assuntos, minha amiga, só diz a verdade quem não gosta da gente ou é indiferente. 

Mas conte-me, como tem passado? Como tem estado na Alemanha e o aprendizado com a nova lingua. Quero saber da sua nova familia, do seu novo casamento. 

Quero saber tudo! Me escreva. 
Acho vintage e muito mais carinhoso. Não vou te enviar essa carta por correio como faria tradicionalmente porque hoje para isso podemos usar a internet. Mas cartas são mais importantes que mensagens no whattsapp, ainda que demorem mais a chegar. 
Tenho certeza que você concordará comigo que depende do momento. Ainda assim, em algum outro momento vou te ligar desesperada novamente chorando, pedindo um ombro amigo ou algum conselho.  


Com carinho; 

Thaís